"E Deus amou o mundo de tal maneira, que entregou o seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna" João 3.16
Mostrando postagens com marcador Criação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Criação. Mostrar todas as postagens

A matéria importa para Deus?




Quando busco no Google “Coisas materiais têm importância para Deus?” encontro mais de 20 milhões de resultados. Alguns sites (confissão: não chequei todos eles) alertam para os perigos que as coisas materiais representam para nosso relacionamento com Deus: “seja espiritual e não caia em preocupações mundanas”. Outros alegam oferecer o segredo da prosperidade material, geralmente mediante o pagamento de uma taxa. Parece que os cristãos estão extremamente confusos se as coisas que pensamos que possuímos, o mundo natural e até nossos corpos são, em sua essência, bons ou não.

Essa confusão surgiu, em boa parte, porque o pensamento cristão ocidental foi comprometido pelo conceito não-bíblico da filosofia grega: a separação entre corpo, alma, material e espiritual. Ainda que citemos “Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas” (Colossenses 3.2), a verdade é que passamos a vida buscando e quase adorando coisas materiais – casas e carros bonitos, boa comida, pessoas de boa aparência, igrejas confortáveis. Os resultados são desastrosos assim para nosso mundo como para nosso relacionamento com Deus. A crença de que coisas materiais não importam nos divorcia dos constantes lembretes bíblicos de que nossas atitudes e práticas com relação a posses, pessoas, outras criaturas e a terra que habitamos estão no coração de nossa relação com Deus.

Certamente, Gênesis é claro. Tudo o que Deus fez, tanto escuridão como luz, tanto peixes como frangos, montanhas, pântanos, vermes (presumo!) e eu, são todos bons. Se colocarmos todos juntos, em sua totalidade são “muito bons”. A matéria realmente tem importância para Deus, tanto que ele a criou em enorme quantidade. Em milhões de variedades. Como disse acertadamente (ainda que metaforicamente) o cientista ateu J. B. Haldane: Deus tem “um afeto impressionante por besouros”. Afinal, ele criou pelo menos 400 mil espécies.

Coisas materiais foram feitas para serem celebradas e valorizadas. Não foram almas desencarnadas que foram “feitas de um modo assombroso e tão maravilhoso”; foram nossos corpos físicos (Salmo 139.14). Deus fez pessoas inteiras, não almas, como coloca Tom Wright. Jesus não nos disse para contemplar questões filosóficas. Ele nos encorajou a estudar os pássaros e as flores para entender o Reino de Deus (Mateus 6.25-34). De fato, a matéria importa tanto para Deus que em Jesus ele entrou em sua criação material. Jesus, Deus conosco, é o maior “Sim!” possível para a vida física, de carne e osso, tanto humana como animal.

Veja Jó: um homem que tinha tudo, materialmente falando, e perdeu tudo, inclusive família e saúde. Como Deus respondeu à sua raiva e questionamentos? Não foi dizendo-lhe para ser mais espiritual, ou para contemplar a felicidade que receberia após a morte. Deus o fez olhar mais de perto para o mundo biofísico ao redor. Ironicamente, o problema de Jó foi não ter dado importância suficiente para as coisas materiais, especificamente o mundo natural não humano. Seu mundo havia sido centrado nele mesmo. Foi em meio ao selvagem, ao mistério e à majestade da natureza indomada, em reconhecimento que este mundo não é para nós, mas é no senso mais profundo para Deus, que Jó começou a juntar as peças novamente.

E quanto a nós? Se tentarmos fazer de conta que a matéria não importa, caímos em um materialismo inconsciente, tratamos a Terra de Deus sem o respeito com que Deus a trata, deixamos de adorar a Deus com todo o nosso ser e deixamos de desfrutar as bênçãos materiais de Deus – que não são encontradas em possuir, mas em desfrutar, receber e compartilhar o presente da criação. Então, da próxima vez que você precisar de terapia material, fique longe do shopping. Leia o Salmo 104 e saia para mergulhar na maravilha da criação de Deus.



Tradução: Juliana Pereira

Revisão: Sabrina Visigalli

Criação ou acaso?




A vida natural é muito complexa e maravilhosa. Tudo que conhecemos na natureza está organizado em sistemas. Todo sistema nos faz pressupor uma inteligência que lhe é subjacente, superior e anterior. Algum sistema extraordinário e eficaz surge sozinho, sem uma inteligência que o tenha desenvolvido?

Desde o átomo até as galáxias, nota-se funcionalidade, beleza estética e organização matemática. O cosmos funciona como um belo relógio analógico, marcando a marcha do tempo. O universo é regido por leis, como testemunho da existência de um legislador.

A posição do nosso planeta no sistema solar é perfeita, variando dentro de uma margem de segurança que parece ter sido calculada. Se estivesse um pouco mais longe do sol, tudo aqui seria congelado; se estivesse mais perto, tudo se queimaria.

A existência da vida na terra depende da combinação de inúmeros fatores que vão dos átomos aos elementos mais complexos e astros distantes. A falta do sol ou da água bastaria para inviabilizar a vida. Há quem diga que todos esses fatores foram reunidos por mera coincidência. Porém, mesmo se fosse possível reunir, por acaso, todas as condições para a vida, isso não garantiria seu surgimento. Aquário com água não cria o peixe.

Nota-se propósito nas coisas criadas. Cada elemento existe para algum outro. Os olhos existem para a luz; os pulmões, para o ar; os ouvidos, para o som. Estas relações tão perfeitas e complexas seriam casuais ou uma coisa foi criada para a outra? Seria o som capaz de provocar o aparecimento do ouvido? E ainda que fosse possível, precisaria ainda produzir um cérebro para interpretar as ondas sonoras, sentir, decidir e responder. Nenhum processo evolutivo explica a relação entre estes elementos, mas tudo se encaixa no conceito criacionista.

O acaso tende, não para um aperfeiçoamento constante, mas para o caos. Se deixarmos que as coisas ao nosso redor cuidem de si mesmas, elas ficarão melhores? Seria uma atitude contrária à inteligência. O empenho humano tem sido sempre no sentido de planejar, pois não confiamos na casualidade.

Todos os sistemas do nosso corpo são extraordinários. Seu funcionamento é sofisticado e integrado: cada um serve de suporte aos demais. O que seria do sistema respiratório sem o nervoso? O que seria do sistema circulatório sem o digestivo? A relação entre os sistemas é muito avançada e perfeita para ser considerada acidental.

Um dos sistemas mais admiráveis é o imunológico, que cuida da defesa do organismo. Ele não parece ter sido planejado? Sua ausência colocaria tudo a perder. Além disso, ele não é estático, mas capaz de “aprender” o seu papel dinamicamente.

Outro sistema incrível é o reprodutor. O DNA contém toda a informação para o surgimento de um ser semelhante, um descendente. Não seria esta a forma mais perfeita e impressionante de planejamento e projeto? Poderia ser um tipo de codificação casual e autorreplicante? É preciso muita fé para acreditar nisso. É mais fácil crer no Criador.

A existência de macho e fêmea, feitos um para o outro, também parece resultado de um plano consciente e não obra do acaso. A perpetuação das espécies parece ter sido planejada antes de começar. E a reprodução humana não é apenas uma questão física, mas também psicológica. Poderia haver macho e fêmea e cada um viver sua vida e fim da história, mas o plano supremo inclui a atração e o amor.

O corpo humano apresenta a mais avançada tecnologia de que se tem notícia. É uma máquina que impressiona pelo design, estrutura e funcionalidade, contando com fluxo de energia, lubrificação, transmissão de comandos cerebrais, controle de temperatura, auto-locomoção, capacidade de percepção e integração ao meio ambiente, comunicação, crescimento, reprodução e desligamento automático. Não parece ter sido projetado e criado?

É também notável que a nossa existência siga uma programação: nascemos, crescemos, amadurecemos, reproduzimos e morremos. Em virtude do livre-arbítrio interferimos de alguma forma nesta sequência, tentando prolongar a vida ou antecipar a morte. Contudo, a programação existe. Nós não a fizemos. Logo, ela se torna mais um testemunho daquela inteligência superior, do supremo Criador.

O ser humano vai além do aspecto físico e biológico, alcançando uma dimensão moral que os animais não possuem. Inventamos a moralidade? As questões éticas também apontam para um ser superior, a quem chamamos Deus, possuidor original dos valores que preservam a vida.

Estamos rodeados pelos milagres divinos. São maravilhas surpreendentes e insondáveis. Diante delas, o que é a ciência? O enorme esforço do homem para compreender pelo menos um pouco da infinita obra de Deus.

::Pr. Anísio Renato de Andrade