"E Deus amou o mundo de tal maneira, que entregou o seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna" João 3.16
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O princípio da compaixão pelos perdidos


No versículo 18 de João 17 vemos o princípio: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo”. Jesus contagiava os seus discípulos com o amor pelas almas perdidas. Eu imagino que em certa ocasião alguém chegou para Jesus e disse que tinha um recado do fariseu Nicodemos. Ele havia mandado dizer que queria ver Jesus, mas queria que fosse à noite. Naquela época não havia luz elétrica, então a noite era muito escura. Posso até imaginar os discípulos argumentando com Jesus, dizendo que ele não deveria comparecer porque os fariseus eram muito hipócritas, que de dia falavam mal dele e de noite queriam vê-lo, e, além disso, Jesus poderia ser mal interpretado porque ele condenava os fariseus publicamente por causa das suas más obras.

Se Jesus fosse visto com um fariseu, iriam pensar que ele era falso. Então Jesus começa a explicar para eles que uma alma vale mais que o mundo inteiro, pelo que iria correr o risco de ser mal interpretado e se encontraria com Nicodemos, mesmo que fosse de noite. Jesus sabia que naquela noite iria, pelo menos, abrir o caminho para que Nicodemos nascesse de novo. Assim, deste precioso encontro temos aquele texto tão lindo de João 3 sobre o novo nascimento.

Em outra ocasião, Jesus estava assentado perto de um poço, quando chegou uma mulher samaritana e Jesus começou a conversar com ela. Nós sabemos que o judeu era preconceituoso com as mulheres, principalmente os judeus ortodoxos. E a mulher ainda era samaritana. Os samaritanos eram considerados pelos judeus como a escória da humanidade, como cachorros. E além disso, Jesus sabia que aquela era uma mulher com sérios problemas na sua vida moral. Mas mesmo assim, Jesus conversou com ela, mais uma vez correndo o risco de ser mal interpretado. Às vezes nós precisamos correr o risco de sermos mal interpretados, porque uma alma vale mais do que o mundo inteiro.


Extraído do Livro “Discipulado Um a Um: Crescimento com Qualidade” – Abe Huber, MDA Publicações, 2012.

Ama os que te odeiam

VERSÍCULO:

“Que mérito vocês terão, se amarem aos que os amam? Até os ‘pecadores’ amam aos que os amam. E que mérito terão, se fizerem o bem àqueles que são bons para com vocês? Até os ‘pecadores’ agem
assim. E que mérito terão, se emprestarem a pessoas de quem esperam devolução? Até os ‘pecadores’ emprestam a ‘pecadores’, esperando receber devolução integral.”
-- Lucas 6:32-34


PENSAMENTO:

Para Jesus repetir algo três vezes em seguida significa que é muito importante! Jesus não se refere a “pecadores” aqui com o desprezo dos fariseus. Ele reconhece que há pessoas que de fato não
querem nada com Deus. Mas, até entre estas pessoas se encontra a virtude de tratar bem parentes e “companheiros”. O corporativismo entre autoridades corruptas e a honra entre ladrões são conhecidos.
Amar aqueles que nos amam ou de quem esperamos receber alguma coisa em retorno é natural. É lógico. O discípulo que apenas faz isso é igual a qualquer pagão. Se sua meta for de ser igual à maioria da sua espécie, então basta isso. Mas, será que foi para isso que fomos chamados – viver igual a qualquer pagão?

Quando o coração se alarga

por Asaph Borba

“Para vós outros, ó coríntios, abrem-se os nossos lábios, e alarga-se o nosso coração. Não tendes limites em nós; mas estais limitados em vossos próprios afetos. Ora, como justa retribuição, falo-vos como a filhos, dilatai-vos também vós”. (2 Coríntios 6.11 a 13)


Há poucos dias visitei a comunidade de um amigo aqui em Porto Alegre. Quando cheguei ao local, me deparei com um batalhão de crianças sorridentes, que me receberam com alegria e festa ainda no portão. Falando com o casal de pastores, Dari e Regina Cesa Pereira, que já conheço há muito tempo, descobri que não apenas são responsáveis por essas, mas por dezenas de crianças em um projeto chamado Casa Lar. Toda criança em nossa capital, que não tem para onde ir, é direcionada pelo conselho tutelar municipal para o cuidado desses amados irmãos. A obra é realizada com a motivação única do amor e, vendo seu relacionamento com as mesmas, é fácil comprovar isso. Tornam-se assim uma ilustração clara da afirmação acima, em que Paulo fala de gente com o coração alargado.

Cada vez mais, mesmo no meio da igreja, o casal Pereira é uma raridade. No contexto de uma forte ênfase de triunfalismo e prosperidade a qualquer custo, o ensino de Jesus que realçou que, melhor é dar que receber, fica perdido, tornando-se para muitos como apenas uma boa intenção, que todos gostam, concordam, mas não praticam. O bom mesmo é receber e receber muito, é ganhar tudo que Deus tem para me dar, reter e enriquecer, gastar o que tenho e pela fé, gastar também o que não tenho, para promover para mim mesmo e os poucos que comigo vivem, uma vida boa e agradável, e tudo, com a legalidade de requisitar isso do Eterno.

Mas esse não é o evangelho total, tudo que relatei pode ser alcançado, mas Deus precisa ainda alargar nosso coração para que, de forma consistente, possamos ajudar pelo menos uma pessoa, uma família, uma criança, um idoso, ou pelo menos apoiar com dedicação quem o faz. Uma parte do que temos tem que ser transformado, mesmo que a força pela nossa vontade e estrutura de vida, em sementes de bênção e dádiva, para que assim, possamos ter nosso coração alargado por Deus para alcançarmos o mundo sedento e carente.

Quando por fim perguntei ao Dari quantas crianças eram, ele respondeu?: “Já são 105”. Porém, sua filha Giovana acrescentou: “107, pai, pois você também cuida também de nós dois”. Referindo-se a ela e a seu irmão Gabriel.

O grande amor de Deus

por Max Lucado

Centenas de metros abaixo da minha cadeira há uma lagoa, uma caverna subterrânea de água cristalina conhecida como o Lençol Freático de Edwards. Nós Texanos do sul do estado sabemos muito sobre este lençol. Nós conhecemos seu comprimento (280 quilômetros). Nós conhecemos seu fluxo (de oeste para leste, exceto debaixo de San Antonio, onde corre de norte para sul). Nós sabemos que a água é pura. Fresca. Ela irriga fazendas e gramados e abastece piscinas e sacia a sede. Nós sabemos muito sobre o lençol d’água.

Mesmo conhecendo tantos fatos, há um essencial que não fazemos idéia. Nós não sabemos seu tamanho. A profundidade da caverna? Um mistério. Número de litros? Incomensurável. Ninguém sabe a quantidade de água que o lençol contém.

Assistindo o boletim meteorológico noturno você pensaria o contrário. Os meteorologistas dão atualizações regulares no nível do lençol freático. Dá-se a impressão que a quantidade de água é calculada. “A verdade é”, um amigo me explicou, ‘ninguém sabe quanta água tem lá embaixo.”

Será que é possível? Eu decidi descobrir. Eu chamei um técnico em conservação hídrica. “É verdade”, ele confirmou. “Nós fazemos estimativas. Nós tentamos medir. Mas a quantidade exata? Ninguém sabe.” Impressionante. Nós a usamos, dependemos dela, pereceríamos sem ela …mas, Medi-la? Nós não conseguimos.”


Isto lhe faz lembrar outra piscina imensurável? Pode ser. Não uma piscina de água, mas uma piscina de amor. O amor de Deus. Lençol freático fresco. Tão puro como a neve de abril. Um gole relaxa a garganta sedenta e amolece o coração endurecido. Deixe uma vida imergir no amor de Deus e veja-a emergir limpa e transformada. Nós conhecemos o impacto do amor de Deus.

Mas o volume? Ninguém jamais o mediu.

Meteorologistas morais, preocupados se nós poderíamos esvaziar a provisão, sugerem o contrário. “Não beba profundo demais”, eles acautelam, recomendando porções racionadas. Afinal de contas, algumas pessoas bebem além da sua conta. Terroristas e traidores e aqueles que batem nas esposas, deixe tais vilões (salafrários, cafajestes ?) começar bebendo, e eles podem tomar demais.

Mas quem já conheceu as profundidades do amor de Deus? Somente Deus. “Quer ver o tamanho de meu amor?” ele convida. “Suba pelo caminho sinuoso de fora de Jerusalém. Siga os pontos de terra ensangüentada até chegar à colina. Antes de olhar para cima, pare e ouça-me sussurrar, ‘Isto é quanto amo eu você.’”

Músculos rasgados por chicote cobrem suas costas. Regatos de sangue descem pelo rosto dele. Os olhos e lábios dele estão fechados pelo inchaço. Punhados de barba foram arrancados. A dor é incendiante. Enquanto se enverga para aliviar a agonia das pernas, sua via aérea fecha. Ao ponto de sufocar, ele empurra músculos perfurados contra o prego e se arrasta para cima na cruz. Ele faz isso por horas. Dolorosamente, para cima e para baixo, até a força dele e as nossas dúvidas acabarem.

Deus lhe ama? Veja a cruz e veja sua resposta.


Deus o Filho morreu por você. Quem poderia ter imaginado tal presente? Na época quando Martinho Lutero estava tendo a Bíblia dele impressa na Alemanha, a filha de um tipógrafo encontrou o amor de Deus. Ninguém tinha lhe falado sobre Jesus. Por Deus, ela sentia nenhuma emoção, senão o medo. Um dia, ela juntou pedaços da Escritura caídos no chão. Num papel ela achou as palavras, “Porque Deus amou o mundo de tal forma que ele deu…” O resto do versículo ainda não havia sido impresso. Mesmo assim, o que ela viu foi o bastante para a comover. A idéia que Deus daria qualquer coisa a moveu de medo para alegria. A mãe dela notou a mudança de atitude. Quando perguntou a causa da felicidade dela, a filha tirou o pedaço amassado de parte do versículo do seu bolso. A mãe leu e perguntou, “O que foi que ele deu?” A criança estava perplexa por um momento e depois respondeu, “Eu não sei. Mas se Ele nos amou o bastante para nos dar qualquer coisa, nós não devemos ter medo dEle.”

Se Deus tivesse dado uma grande idéia, ou uma mensagem lírica, ou um cântico infinito … mas ele se deu. “Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus.” (Efé 5:2 NVI). Que espécie de devoção é esta? Procure a resposta na categoria “infalível.” A santidade de Deus exigia um sacrifício sem pecado, e o único sacrifício sem pecado era Deus o Filho. E, desde que o amor de Deus nunca deixa de pagar o preço necessário, ele o fez. Deus lhe ama com um amor infalível.

Inglaterra vislumbrou um amor parecido em 1878. A segunda filha da Rainha Victoria era a Princesa Alice. O filho dela, aos quatro anos, ficou infectado com uma aflição horrível conhecida como difteria preta. Os médicos quarentenaram o menino e avisaram a mãe para se manter afastada dele.

Mas ela não pôde. Um dia ela o escutou sussurrando para a enfermeira, “Por que minha mãe não me beija mais?” As palavras derreteram o coração dela. Ela correu ao filho e o cobriu de beijos. Dentro de alguns dias, ambos foram enterrados.

O que levaria uma mãe a fazer algo assim? O que levaria Deus a fazer algo maior? Amor. Ligue a maior ação de Deus ao maior atributo de Deus – o seu amor.

Mas como é que o amor de Deus se enquadra com o tema deste livro? Afinal de contas, “Não gira em torno de mim.” Se não gira em torno de mim – será que Deus se preocupa comigo? A prioridade de Deus é a glória dele. Ele ocupa o centro do palco, eu carrego as peças do cenário. Ele é a mensagem, eu sou apenas uma palavra. Isto é amor?

Sem dúvida. Você realmente quer o mundo revolvendo ao seu redor? Se “tudo gira em torno de você”, então “tudo é por sua conta”. Seu pai lhe poupa de um fardo tão grande. Enquanto você é valioso, você não é essencial. Você é importante, mas não indispensável.

Ainda não acha que isso é boa notícia?

Talvez uma história seria útil. Meu pai, um mecânico de campo de petróleo, nunca conheceu um carro que ele não pôde consertar. Esqueça de tacos de golfe ou raquetes de tênis, os brinquedos de meu pai eram alicates e chaves de fenda. Ele apreciava uma máquina acabada. Uma vez, enquanto ele estava nos dirigindo para visitar a irmã dele no Novo México, o carro soltou uma válvula. A maioria dos homens teria gemido todo o caminho até a oficina mecânica. Meu Pai, não. Ele chamou um caminhão de reboque e sorriu o resto do caminho até a casa da minha tia. Até hoje eu desconfio de sabotagem paterna. Uma semana de bate-papo familiar o repulsava. Mas uma semana debaixo do capuz? Esqueça do café e biscoitos. Dê-me o escape. Pai fez com um motor V-8 o que Patton fez com um pelotão--ele o fez funcionar.

Ó, se o mesmo pudesse ser dito do filho mais novo dele! Não pode. Meu problema com mecânicos começa com as duas extremidades do carro. Eu não consigo lembrar onde fica o motor. Qualquer um que confunde a estepe com a correia do ventilador provavelmente não tem talento para conserto de carro.

Minha ignorância deixou meu pai em uma posição precária. O que faz um mecânico qualificado com um filho que é qualquer coisa menos isso? Enquanto você começa a formular uma resposta, eu posso fazer esta pergunta – o que faz Deus conosco? Sob o cuidado dele, o universo funciona como um relógio Rolex. E os filhos dele? A maioria de nós temos dificuldade em manter as contas num talão de cheques. Então, o que é que ele faz?

Eu sei o que meu pai fazia. Muito para o crédito dele, ele me deixava ajudá-lo. Segurando alicates, limpando velas de ignição – ele me dava trabalhos para fazer. E ele sabia dos meus limites. Jamais ele disse, “Max, desmonte aquela transmissão, certo? Uma das engrenagens está quebrada.” Nunca disse isso. Em primeiro lugar, ele gostava da transmissão dele. Também, ele me amava. Ele me amava demais para me dar demais.


Deus faz assim. Ele conhece suas limitações. Ele está bem atento às suas fraquezas. Da mesma forma que você não poderia morrer pelos seus próprios pecados, você nem tampouco pode resolver a fome mundial. E, de acordo com ele, está tudo bem. O mundo não está dependendo de você. Deus lhe ama demais para dizer que é tudo gira em torno de você. Ele mantém o cosmos funcionando. Você e eu jogamos serragem nas manchas de óleo e o agradecemos pelo privilégio. Nós espiamos debaixo do capuz. Nós sabemos o que custa cuidar do mundo e sábios somos ao deixar nas mãos dele.

Dizer que não gira em torno de você não é dizer que você não é amado, muito pelo contrário. É porque Deus o ama que não gira em torno de você.

E, ó que amor isto é. É “maravilhoso demais para ser medido” (Efé. 3:19). Mas embora não possamos medi-lo, eu posso lhe exortar a confiar nele? Alguns de vocês têm tanta fome de um amor como este. Aqueles que deviam ter lhe amado não fizeram. Aqueles que poderiam ter-lhe amado não queriam. Você foi deixado no hospital, abandonado no altar. Deixado com uma cama vazia, deixado com um coração quebrado. Deixado com sua dúvida, “Será que alguém me ama”?

Por favor escute a resposta do céu. Enquanto você o observe na cruz, ouça Deus assegurar, “Eu lhe amo”.

Provavelmente um dia alguém achará o limite do lençol freático de água do Sul do Texas. Um submarino robótico, ou até mesmo um mergulhador; descerá pela água até que bata no chão firme. “Nós descobrimos as profundidades”, jornais anunciarão. Alguém dirá o mesmo do amor de Deus? Não. Quando o assunto é água, nós acharemos o limite. Mas quando é o amor dele, nós nunca o iremos.